| Soja na Bolívia e seus desafios no caminho da responsabilidade |
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1 de agosto 2012
Por Agustin Mascotena
Na semana passada tive meu primeiro contato direto com a realidade boliviana e sua cadeia sojeira.
O impacto é grande ao entrar em contato tanto com a cidade quanto com os setores produtivos e industriais relacionados com a soja ou soya, tal qual é chamada na Bolívia. Não apenas por passar de 5ºC em Buenos Aires para 30ºC em Santa Cruz em três horas, mas porque são evidentes os efeitos positivos na macro e microeconomia. Percebe-se no ambiente o progresso, o crescimento e um âmbito propício para a inovação e as mudanças.
Apesar de que ao subir às torres mais altas da cidade também seja possível ver no horizonte a fumaça de queimadas nos campos produto da expansão e limpeza para cultivar mais área com soja ou outras culturas como a coca em franca expansão.
Santa Cruz é caso de estudo pelo progresso e êxito de migrantes bolivianos e estrangeiros a suas terras nos últimos anos, transformados hoje em agricultores bem-sucedidos. Migrações de pequenos produtores pobres de outras regiões bolivianas que hoje são produtores prósperos em Santa Cruz são moeda corrente.
A produção boliviana tem algumas vantagens econômicas importantes como um diesel subsidiado, taxas diferenciadas nos países do Pacto Andino (Colômbia, Peru, Equador e Bolívia), bem como acordos bilaterais de comércio com a Venezuela (ex integrante do Pacto). O clima é benigno para a produção de soja e outras culturas, permitindo a rotação de mais de uma cultura ao ano. Ainda que em aumento, os descontos de preço sobre os preços de Chicago hoje estão na ordem dos U$100, o que deixa os produtores bolivianos numa situação vantajosa com relação a seus vizinhos argentinos os quais têm deduções de até 35% de seus preços por direitos de exportação (a uma soja de U$640 = U$224).
As desvantagens do sistema boliviano:
Neste contexto minha visita foi principalmente encaminhada a participar de um foro organizado pelo IBCE (Instituto Boliviano de Comércio Exterior) e a ANAPO (Associação de Produtores de Oleaginosas e Trigo Boliviana) sobre produção responsável de soja e o enfoque RTRS.
Agustin Mascotena expondo no Foro “Produção de soja responsable no Mercosul e Bolívia: Padrão RTRS”.
Foi uma agradável surpresa, o nível de participação no foro e a avidez por conhecimento por parte do setor. A RTRS tem sem dúvidas um campo propício na Bolívia para continuar com a implementação já em andamento dos programas liderados pela ANAPO, a IFC (Corporação Financeira Internacional), Solidaridad e outros agentes locais.
Produtor boliviano
A maior dificuldade para sustentar este progresso, até alcançar o grau de autossuficiência dos modelos de melhoria contínua que propõe o padrão RTRS, é a conexão com os mercados internacionais que hoje demandam soja certificada ou em seu defeito o convencimento das indústrias locais sobre a necessidade de trabalhar em sustentabilidade como forma de sobrevivência e adaptação de seus próprios negócios. Para esta etapa de transição é, sem nenhuma dúvida, uma ferramenta fundamental a Plataforma de Comercialização de Créditos de RTRS, para poder conectar o esforço destes produtores com empresas dispostas a apoiar a transformação e conservação de áreas onde a sobreposição produção/ambiente deve ser sem dúvidas considerada. |
| Ter Mai 28, 2013 @08:00 - RTRS: Eighth Annual Conference (RT8) - Beijing (China), 2013 |
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