| Lucas Aernouldts |
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A região do Cerrado no Brasil compreende uma grande extensão de floresta e savana, que costumava cobrir uma área maior à superfície do México. Durante os últimos 50 anos, ao redor da metade dos ecossistemas naturais do Cerrado desapareceu, a maioria devido às práticas agrícolas, e durante os últimos anos, uma das principais culturas envolvidas foi a soja.
Esta expansão agrícola permitiu que o Brasil passasse de um importador de alimentos neto para um dos maiores produtores de alimentos do mundo, beneficiando-se em matéria econômica e social. Entretanto, existem outros custos. O avanço de grandes monoculturas ameaça a grande biodiversidade do Cerrado, hábitat de uma terceira parte das espécies brasileiras e mais de 5% das espécies mundiais. Visto que o Cerrado é uma área com grandes provisões de água, a degradação do solo, a erosão e as práticas agrícolas e industriais afetam o fornecimento de água a milhões de pessoas.
No estado de Minas Gerais, Lucas Aernouldts (na fotografia da direita, junto com Jaap Oskam) está na procura de uma produção agrícola que não prejudique as riquezas naturais do Cerrado.
As principais culturas, em cuja produção há 150 pessoas empregadas, são a cenoura e o alho, embora o plantio de soja ocupe 320 hectares, a partir das quais são produzidas aproximadamente 1200 toneladas por ano, adquiridas em sua maioria pela Cargill. O campo também conta com uma área de conservação de vegetação natural.
“É questão de trabalhar em harmonia com a natureza,” diz Lucas. Esta prática inclui o plantio direto, o qual não envolve a destruição da camada superior do solo. Desse modo é possível melhorar a qualidade do solo e os níveis de carbono, prevenindo a erosão e reduzindo o uso de produtos químicos. Também se aumenta a variedade de fauna e flora por baixo e sobre o solo, desde os vermes de terra e os insetos que beneficiam o solo até as aves de ninho.
Os altos padrões de meio ambiente e trabalho no campo de Lucas contam com o reconhecimento da certificação RTRS desde o ano 2011. Este foi um dos primeiros campos que foram certificados como resultado do apoio da APDC (Associação de Plantio Direto no Cerrado) e a Soy Producer Support Initiative (SOYPSI), um projeto desenvolvido por Solidaridad e a RTRS que respalda os pequenos produtores para obter a certificação.
“O campo já estava se desenvolvendo num alto nível, mas agora o comprador sabe que a nossa soja é produzida conforme as melhores condições” diz Lucas. “É um aspecto positivo na hora da venda, visto que os compradores veem com bons olhos a soja que conta com a certificação RTRS”
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